ESTORIAS DE LUA

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Terça-feira, 24 / 05 / 11

ELES ANDAM AI...

 

São perigosos como tudo o que nos modifica o pensamento|satisfazem-nos como um amante|alimentam-nos como o melhor manjar do mundo|alguns fazem-nos perder a cabeça e ficar apaixonados mesmo sem os conhecermos bem e muito mais. CUIDADO QUE ELES ANDAM AI... Quem? Os L.I.V.R.O.S. (leia-se: Lunáticos, imaginativos, versáteis, remoinhadores, operadores e sonâmbulos).

 

Maria Lua

sinto-me: Bem!
publicado por MariaLua às 16:05
Sexta-feira, 25 / 03 / 11

HÁ DIAS...

 

 

"Há dias, escuros e sem brilho... dias de gastar sapatos e de ver gatos pretos, dias sem tecto... dias de esperar...dias ignorantes que não nos deixam ser...

 

...mas também existem dias de sol e dias de lua e de cheiro a flores no cabelo, dias de sorrisos, dias de olhar para cima, dias de construir castelos e dias de perceber que tudo o que se espera se alcança, dias de comida servida  com batatas fritas (sem engordar) dias de ACREDITAR".

 

 

E nisto tudo tu Catarina és a parte boa! És o numero 1!   Amei conhecer-te... FICA!....

 

Beijinhos para ti e para o teu menino... : )

 

Maria Lua

sinto-me: Confiante! Encontrei uma amiga
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publicado por MariaLua às 13:16
Sexta-feira, 04 / 03 / 11

EU SEI MAS NÃO DEVIA

 

 

 

 

Hoje sinto-me entre o verde e o cinzento... a seguir publico um texto que tem tudo a ver...

Espero amanhã sentir-me mais AZUL.

                                                                                                                                                                    Maria Lua

 

 

Eu sei, mas não devia

Marina Colasanti


 

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.


A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

 

(1972)


Marina Colasanti
nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.


O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

sinto-me:
publicado por MariaLua às 18:07
Quarta-feira, 16 / 02 / 11

A VER PASSAR NAVIOS

 

 

 

 

 

 

"Existiam estrelas guardadas dentro dos olhos de alguém que não queria passar a vida a ver passar navios. E um dia partiu num deles e despejou todas as estrelas atrás de si... e as estrelas construiram caminhos de luz para todos os outros que apesar de não quererem passar a vida a ver passar navios, não tinham coragem de partir"

 

Maria Lua

sinto-me:
publicado por MariaLua às 18:31
Domingo, 13 / 02 / 11

CREPUSCULAR

 

As janelas da memoria brincam ao esconde-esconde. É lá que moram todas as bocas que não quiseram dar beijos e todas as princesas que adormeceram nos contos de fadas incapazes de acordar e de voltar à dor do mundo, e todos os principes que por não serem perfeitos se afastaram dos seus sonhos. E todos se escondem para que nunca os descubram. Mas na hora do crepusculo todos se unem numa valsa louca, espiral de tempo de quem não se quer  perder. (...)

Maria Lua

 

 

 

publicado por MariaLua às 21:53
Segunda-feira, 07 / 02 / 11

MUSICO-NOSTALGIA

 

 

 

 

 

Hoje quero partilhar convosco 2 das musicas da minha vida e deixa-las falar por mim...

 

Relaxem... : ) e boa viagem!

 

 

Maria Lua

 

 

sinto-me: MUSICAL!!!
publicado por MariaLua às 23:03
Sábado, 05 / 02 / 11

FAUSTO BORDALO DIAS FOREVER!

 

 

 

 

 

Tive conhecimento do Fausto na minha adolescência quando a minha encenadora de teatro usou o seu álbum: “Por este rio acima” como tema de fundo para “aquecimento” espiritual antes do espectáculo: “Entre Giestas” de Carlos Selvagem.

Nessa altura o meu papel era o de Clara, uma jovem a quem a vida não lhe havia sorrido muito. Apesar dos anos terem passado recordo uma das minhas deixas  para com  um personagem já idoso, o Ti’Martinho : “Que longa a noite Ti´Martinho” ao que ele me respondia “Amanhecerá”. Entretanto o Ti’Martinho já partiu para o mundo dos pássaros e eu confesso que durante toda a minha existência sempre fiquei à espera que a noite acabasse... agora mais adulta e madura compreendo que a noite é apenas uma palavra e um momento onde supostamente se deve dormir... pois CRENDO existem sempre luzes interiores que nos impedem de viver na noite!

 

Mas voltando ao meu muito querido Fausto. Desde essa altura (adolescência) que ele me tem vindo a acompanhar musicalmente como alguém de família com quem não se pode deixar de viver, ou como um pequeno “deus” que nos acompanha e em quem temos fé. Talvez  por todas as recordações que a sua musica me tráz serem excelentes. Para além do teatro, Fausto também me acompanhou na dança (usei um dia o : “Corações sentidos corações” para dançar num espectáculo) e porque o Fausto é também para mim um dos melhores letristas e poetas portugueses costumo usá-lo frequentemente em recitais de poesia que faço na minha actividade profissional. E também porque assisti a alguns dos seus concertos sempre pela mão do meu melhor amigo “Manel” com quem desde sempre partilhei momentos belos, felizes e únicos. É interessante que ainda hoje sempre que sinto desejo de mostrar “o outro lado de mim”  partilho Fausto e as suas mágnificas musicas e letras com as pessoas de quem me desejo aproximar.

 

Querido Fausto: Se um dia me leres, quero que saibas que a tua musica sempre me ajudou a ser mais EU! Obrigada e por favor continua a incendiar corações. : )

 

 

Maria Lua

sinto-me: EnFaustiada : )
publicado por MariaLua às 13:26
Quinta-feira, 03 / 02 / 11

SONHOS ESTRELADOS

 

 

 

As estrelas são as flores do céu. Implantam-se em canteiros de luz como se fossem os olhos de Deus. E protegem-nos nas noites sem sono... algumas por vezes (as mais audazes) deslocam-se do céu e povoam a terra transformando-se em estrelas-do-mar. Mas quem espreitar bem e tiver amor suficiente no coração, mais tarde ou mais cedo conseguirá vê-las abrir as asas e regressar ao céu de volta ao seu lugar... Serão então as estrelas espiãs de Deus?

 

Maria Lua

 

 

 

 

Enquanto escrevia este post lembrei-me de uma história que um dia escutei e que agora costumo contar:

 

 

O Jovem e as estrelas-do-mar

 

 

 

Numa praia tranquila, junto a uma colónia de pescadores, morava um escritor. Todas as manhãs ele passeava pela praia, olhando as ondas. Assim inspirava-se e, de tarde, ficava em casa a escrever. Um dia, caminhando pela areia, viu um vulto que parecia dançar. Aproximou-se e viu que era um jovem, que apanhava estrelas-do-mar da areia, uma a uma, e as jogava ao oceano. - Tudo bem? – Disse-lhe o jovem num sorriso, sem parar o que estava a fazer. - Por que é que você está a fazer isso? – Perguntou o escritor, curioso. - Não vê que maré baixou e o sol está muito quente? Se estas estrelas ficarem aqui na areia, vão secar ao sol e morrer! O escritor achou bonita a intenção do rapaz, mas deu um sorriso céptico e comentou: - Só que existem milhares de quilómetros de praia por esse mundo fora, meu caro. Centenas de milhares de estrelas-do-mar devem estar espalhadas por todas essas praias, trazidas pelas ondas. E você aqui, nesta praia a jogar algumas de volta ao oceano, que diferença é que isso faz? O jovem olhou para o escritor, agarrou numa estrela na areia, jogou-a à água, e voltou a olhar para ele e dizendo: - Para esta, faz diferença. No dia seguinte, de manhã bem cedo, o escritor foi para a praia. O jovem apanhava as primeiras ondas do dia. Juntos, com o sol ainda suave, começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano…

sinto-me: cheia de sol...
publicado por MariaLua às 16:41
Quarta-feira, 02 / 02 / 11

IMAGINAR É CRESCER

 

 

 

Dentro de nós existem estrelas que querem ser vividas e rios que querem correr até ao mar e ser grandes, e sóis amarelinhos do tamanho de mundos que servem para nos aquecer a alma, e luas que mudam de fase e nos fazem crescer, e uma imensidão de coisas pequeninas que todos os dias querem aparecer, voar, viajar e tornar-nos mais fortes. Para nos ajudar na “viagem” de descoberta de tudo o que existe temos connosco, desde o nosso nascimento, uma varinha mágica chamada imaginação. O manuseio da mesma não traz livro de instruções nem pode ser consultado em catálogos. Mas quando a conseguimos usar passamos a ver a vida e as coisas a cores, e o preto e branco desaparece e parte para a terra do nunca.

 

 

Maria Lua

sinto-me: Aqui...
publicado por MariaLua às 18:07
Terça-feira, 01 / 02 / 11

Do Amor

 

 

 

O meu berço é o teu colo nele rodeio-me de nenufares de ternura e exorcizo todas as sombras. Só o amor te ajudará a SER... Perdoa as sombras que te povoam e lê a vida"! Voltei decidida a mudar o meu mundo e a afastar o escuro. Conto com todos os que acreditam na LUZ : )

 

Maria Lua

 

 

(Obrigada "Albanita" por mesmo sem saberes me teres ajudado a despertar : )* )

sinto-me: Com estrelas dentro
música: Koln Concert (Keith Jarrett)
publicado por MariaLua às 17:09
Segunda-feira, 31 / 01 / 11

CIRCO DE FERAS (UAU! VOLTEI E DESTA VEZ MAIS REALISTA... MAS NÃO MENOS SONHADORA)!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Viva a universalidade de ser!

Também vós, mesdames e messieurs, petits garçons e petites filles sois artistas convidados. E até moi, pobre moribunda aqui me encontro para representar o meu papel.

Nós humanos, Inventamos peripécias, deslumbrados, sem medo do que possa correr mal.

Somos acrobatas e equilibristas e fazemos cambalhotas no arame (sempre sem rede diga-se de passagem)! Não ouvimos a razão, por mais que a chamemos, e insistimos sempre em ser o astro nesta pista. Normal e elementar! (Será?) E quando a nossa mão vai à procura de outra mão e não encontra nada? Ai solidão, solidão… este mundo é só incompreensão… ficamos sozinhos coitadinhos…

Esquecemos rápido que muitas vezes quando alguém precisa a nossa porta fica fechada… e olhem que existem poucas pessoas de mãos dadas para ajudar… será que vai passar?

Glória efémera, vazia! O circo é como a vida. Quem diria? O show tem a sua hora de acabar.

Mas para já somos palhaços amestrados, leões muito bem domados…

Devíamos ficar tristes, revoltados, mas rimos, e rimos, alto. E muitas vezes: com vontade de chorar.

 

SEJAM BEM-VINDOS AO CIRCO DA VOSSA VIDA!

 

The show must go on..

 

Maria Lua

  

 

sinto-me: REAL...
publicado por MariaLua às 17:37
Quarta-feira, 30 / 12 / 09

Aos Amigos : VOTOS DE SER FELIZ (SEMPRE)

 

 

 

 

Encontramo-nos entre caminhos como se fossemos estrelas paralelas, e ás vezes só olharmo-nos já não chega, há que SENTIR o outro, respira-lo, transmitir-lhe flores de bem querer e propagar o que sentimos ao maior numero possível de gentes... Que as vossas estrelas brilhem sempre com luz verdadeira e jamais dêem poder aos vossos buracos negros, pois o sonho ainda existe e a magia está sempre a acontecer (...). Para muitos talvez o ACREDITAR seja utopia, mas viver sem TERNURAS compartilhadas, sem AMOR sem PAZ sem COMPREENSÃO não será mais doloroso do que a própria utopia??? Um dia o poeta disse que " os utópicos, os sonhadores são os que conhecem melhor a realidade, pois têm a capacidade de a transformar em algo que não os magoe" (...) Contribuir para um MUNDO MELHOR não será o CAMINHO??? Que a LUZ DIVINA continue a preencher todos os nossos vazios e imperfeições e nos mostre a direcção a seguir, não apenas em passagens de ano mas SEMPRE. Com AMOR

 

 

Maria Lua

 

 

sinto-me: de coração cheio : )
publicado por MariaLua às 15:13
Quinta-feira, 05 / 02 / 09

Leve um Livro Para a Cama

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vá á feira do Livro, às Livrarias, às bibliotecas que emprestam livros e traga um livro.

Leve o livro para casa.

Leve o livro para a cama.

É sempre uma boa companhia. Quando lê, nunca está sozinho.

Mas primeiro dispa-o cuidadosamente do papel ou do saco de plástico que o envolve. Depois, pode demorar-se a apreciar a encadernação, acariciar a lombada, abri-lo lentamente, folheá-lo devagarinho até encontrar uma ilustração mais interessante, pode voltar ao principio, começar a lê-lo sem presas, entusiasmar-se e mesmo acabar de repente, com sofreguidão.

E pode começar de novo de uma maneira ou de outra. Um livro tem sempre algo de diferente a revelar, às vezes custa é descobri-lo.

Pode voltar a pegar-lhe no dia seguinte, todos os dias, até se cansar, que ele permanece sempre a seu lado.

Não precisa de fazer uma leitura segura: não é necessário pôr-lhe uma capa plástica para o proteger. As suas mãos podem sentir-lhe a textura, a suavidade, a qualidade do papel, o cheiro da tinta e o pior que pode acontecer-lhe é ficar seduzido para sempre.

Pode lê-lo em qualquer posição, de trás para a frente, de frente para trás ou mesmo começar pelo meio. O livro está sempre disponível para se entregar a quem o ama.

Talvez seja mesmo o primeiro a tê-lo, e então haja com mil cuidados, porque vai querer saborear esse momento raro de colher as primícias do seu conteúdo.

E também há-de querer lê-lo mais vezes.

Leve um livro para a cama.

Ler, às vezes, é quase tão bom como fazer amor.

Leve um livro para a cama, hoje, amanhã, sempre.

 

Henrique Barreto Nunes

 

sinto-me: irónica
publicado por MariaLua às 18:26
Terça-feira, 14 / 10 / 08

O POETA NASCE NO VENTRE DAS PALAVRAS

 

 

 

Num dia que poderia ser manhã, tarde ou noite, o poeta sentou-se no cimo de um rochedo e gritou: NÃO! ………………..…………………………………

 

Tinha decidido acabar com a sua vida pois todas as palavras haviam deixado de fazer sentido (e sentia-se a viver em sentido contrário, cheio de stops, lombas e pavimentos escorregadios).

  

O poeta sentia-se nu e vazio e com o coração cheio de frio e de  ideias loucas e ocas e com o cérebro cheio de orelhas mocas e de bocas que já não diziam nada...O poeta voltou a gritar: NÃO!......................................................................

 

 

 

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…Tragam-lhe agasalhos e sonhos claros de manhãs primaveris, tragam-lhe as asas (que ele próprio escreveu) e um gineceu cheio de estrelinhas douradas que rompam nas madrugadas e lhe tragam o alívio às dores de que padece... tragam-lhe o verão e verão que ele nunca mais se esquece... Ahh… e tragam qualquer coisa que fique acesa e que traga na ponta uma porta presa para que ele sinta que existem sempre portas para abrir e locais para onde fugir e depois chorar e sorrir…………………………………….

 

 

 

O poeta descobriu que precisa descobrir e parir novas palavras como forma de nascer de novo…

 

 

 

Ah os poetas… esses loucos… usam as palavras como se fossem pasta de dentes e depois quando acham não há mais nada para "branquear" querem partir e fugir… e ruir….

 

 

 

Guardem-nos no peito óh gentes pois só as suas palavras vos permitem ser mais do que PALAVRAS…

 

Maria Lua

 

publicado por MariaLua às 19:15
Sexta-feira, 10 / 10 / 08

Afinal o que é que existe dentro dos livros?

 

Espreitei...

Não, não podia ser...

olhei outra vez.... ah... mas estavam mesmo lá...

Nunca acreditei mas é verdade: LER DÁ-NOS MESMO ASAS

 

Maria Lua

publicado por MariaLua às 16:15
Sábado, 14 / 06 / 08

Jamais invisiveis...

 

invisivel1.JPG

 

 

 

MONUMENTOS VIVOS

 

 

 

Podemos encontra-los nos bancos de jardim onde pregam amor, falam do peso do tempo ou espalham sorrisos e transmitem sabedoria a quem os quiser "ver". Muitos são doentes e subsistem com míseras pensões que não lhes permitem viver como mereciam. Apesar de muitos deles serem incultos e analfabetos detêm de sabedoria suficiente para escrever um bom livro. Apesar de passarem a vida a dar tudo o que têm aos filhos e ao país são muitas vezes desprezados por estes e pouco amados…

 

 

São os senhores do tempo a árvore que enraíza este país e nos faz a todos ser mais legítimos. Por isso no dia em que morrerem este país ficará mais pobre e vazio.

 

 

 

 

 

Envio daqui um bem haja a todos os que têm mais de 65 anos.

 

 

 

 

 

A razão deste texto prende-se com o facto de ter recebido o email que a seguir anexo e o qual me deixou profundamente chocada. Pois se hoje somos o que somos e quem somos tudo lhes devemos.

 

 

 

 

 

AMO-VOS SENHORES INVISIVEIS!

 

 

 

 

 

Maria Lua

 

 

 

 

 

INVISIVEL

 

Já não sei em que dia estamos.

 Lá em casa não há calendários, e na minha memória as datas estão todas misturadas. Recordo-me daquelas folhas grandes, uns primores, ilustradas com imagens dos santos que colocávamos ao lado do toucador. Já não há nada disso. Todas as coisas antigas foram desaparecendo. E sem que ninguém desse por isso, eu também me fui apagando... Primeiro, mudaram-me de quarto, pois a família cresceu. Depois passaram-me para outro menor ainda, com a companhia das minhas bisnetas. Agora, ocupo um cubículo, que fica no anexo da moradia. Prometeram-me substituir o vidro partido da janela, mas esqueceram-se, e todas as noites, entra por lá um ar gelado que aumenta as minhas dores reumáticas. Mas tudo bem... Desde há muito tempo que tinha intenção de escrever, porém passava semanas à procura de um lápis. E quando o encontrava, voltava a esquecer onde o tinha posto. Na minha idade, todas as coisas se perdem facilmente.

 É claro que não é uma doença delas, das coisas, porque estou certa que as tenho, elas é que desaparecem. Uma tarde destas, dei-me conta de que a minha voz também tinha desaparecido. Quando falo com os meus netos ou com os meus filhos, eles não me respondem. Todos falam sem me olhar, como se eu não estivesse ali, ouvindo atenta o que dizem. Às vezes, intervenho na conversação, certa de que o que vou dizer não lhes ocorrera e que poderá ser-lhes muito útil. Porém não me ouvem, não me olham, não me respondem. Então, cheia de tristeza retiro-me para o meu quarto e vou beber uma chávena de chá. Faço assim, de propósito, para que percebam que estou aborrecida, para que compreendam que me entristecem, venham buscar-me e me peçam. Porém, ninguém vem. Quando o meu genro ficou doente, pensei ter uma oportunidade de ser-lhe útil, e levei-lhe um chá especial que eu mesma preparei. Coloquei-o na mesinha e sentei-me à espera que ele o tomasse. Só que ele estava a ver televisão e nem um só movimento me indicou que ele dera conta da minha presença a seu lado. O chá pouco a pouco arrefeceu, e com ele, também o meu coração... Então, um dia destes disse-lhes que quando eu morresse, todos iriam arrepender-se. O meu neto mais pequeno, disse:

-Ainda estás viva avó? Acharam todos, tanta graça, que nem paravam de rir. Chorei três dias no meu quarto, até que uma manhã, entrou um dos rapazes para ir buscar um skate. Nem os bons dias me deu. Foi então que me convenci de que sou invisível... Uma vez, parei no meio da sala para ver, se tornando-me um estorvo, reparavam em mim. Porém, a minha filha continuou a varrer à minha volta, sem me tocar, enquanto os meninos corriam de um lado para o outro, sem tropeçar em mim. Um dia os meninos, agitados, vieram dizer-me que no dia seguinte iríamos todos passar um dia no campo. Fiquei muito contente. Há tanto tempo que não saía, e mais ainda, não ia ao campo! Nesse Sábado, fui a primeira a levantar-me.

Quis arrumar as minhas coisas com calma. Nós, os velhos, demoramos muito a fazer qualquer coisa, e assim, adiantei o meu tempo para não nos atrasarmos. Muito apressados, todos entravam e saíam de casa a correr e levavam as bolsas e os brinquedos para o carro. Eu estava pronta, e muito alegre, permaneci no meu cubículo à espera deles. Quando dei conta, eles já tinham partido e o automóvel arrancou envolto em algazarra. Compreendi então, que não tinha sido convidada. Talvez não coubesse no carro. Ou se calhar, porque os meus passos lentos impediriam que todos caminhassem a seu gosto pelo bosque. Naquela hora, o meu coração encolheu e a minha cara tremeu como quando a gente tem que engolir a vontade de chorar. Eu percebo-os. Eles têem o mundo deles. Riem, gritam, sonham, choram, abraçam-se, beijam-se. E eu, já nem sei qual o gosto de um beijo. Dantes, beijava os pequenitos e era um prazer enorme tê-los nos meus braços, como se fossem meus. Sentia a sua pele macia e a sua respiração doce, bem perto de mim. A sua vida nova dava-me alento e até me dava vontade de cantar canções de que nunca pensara lembrar-me ainda. Mas um dia, a minha neta Joana, que acabara de ser mãe disse-me que não era bom que os anciãos beijassem os bebés. Por uma questão de saúde...Desde então que não me aproximo deles. Não quero transmitir-lhes nada de mau, devido à minha imprudência. Tenho tanto medo de os contagiar! Eu perdoo-os a todos. Porque... Que culpa têem eles, que eu me tenha tornado  I n v i s í v e l?

publicado por MariaLua às 18:59
Quarta-feira, 23 / 01 / 08

Brevemente Volto!!!

Tenho-me ocupado ultimamente a viajar dentro de mim... esta é uma viagem especial pois faz-me crescer Imenso... em breve regresso!

um abraço a todos os fans lolo

Maria Lua
publicado por MariaLua às 22:54
Quarta-feira, 24 / 10 / 07

Estrelas Cadentes, Estrelas no Coração e Varinhas de Condão...

Varinha.jpg

 

 

Existem Estrelas que nos ferem os olhos, Estrelas que brilham dentro do nosso peito e Estrelas que caiem sem que tivéssemos a possibilidade de as apanhar...

 

Existem Estrelas que enchem os nossos dias, Estrelas que nos fazem sorrir e acreditar no seu brilho, Estrelas que apenas têm brilho e que por dentro são ocas e Estrelas que penduramos na árvore de Natal como símbolo.

 

 

 

Depois há os buracos negros (e desses desculpem-me mas não falo pois não gosto de falar dessas coisas ...)

 

 

 

Mas as Estrelas que eu prefiro são as das varinhas de condão... (são lindas não são?) Dão-nos poderes... têm o dom de permitir activar todas as ESTRELAS em que realmente acreditamos... e o nosso coração fica grande... grande.. e cheio de Amor para dar.

 

 

 

Um dia descobri que os sonhos acabam porque deixamos de acreditar neles... e aprendi também que a única diferença entre uma criança e um adulto é que o corpo do adulto cresceu... se assim não for é sinal de que a Estrelinha não está a funcionar bem...

 

 

 

 Beijinhos e muitas varinhas de condão para vocês...

 

 

 

Maria Lua

 

 

 

 

sinto-me: fada...
publicado por MariaLua às 15:48
Quinta-feira, 23 / 08 / 07

Poema Arabe

 

primerosaux_cortada1.jpg

 

 

 

Esta manhã enquanto pesquisava na net encontrei este poema que desejo profundamente partilhar convosco...

 

 

Um Abraço: Maria Lua

 

 

 

Poema Árabe

 

 

O meu filho coloca a sua caixa de pintura à minha frente

E pede-me que lhe desenhe um pássaro.

Mergulho o pincel na cor cinzenta

E traço um quadrado com fechaduras e grades.

Os seus olhos enchem-se de surpresa:

"... Mas isto é uma prisão, pai,

Não sabes desenhar um pássaro?

E eu digo-lhe: "Filho, perdoa-me.

Esqueci-me da forma dos pássaros.

O meu filho coloca o livro de desenhos à minha frente

E pede-me que desenhe uma espiga de trigo.

Pego num lápis

E desenho uma arma.

O meu filho desdenha da minha ignorância, perguntando,

"Pai, não sabes a diferença entre uma espiga de trigo e uma arma?"

Eu digo-lhe: "Filho, uma vez usei a forma da espiga de trigo

a forma do pão

a forma da rosa

Mas nestes tempos duros

as árvores da floresta juntaram-se

aos homens da milícia

e a rosa veste uniformes escuros

Neste tempo de espigas de trigo armadas

de pássaros armados

de cultura armada

e de religião armada

não se pode comprar pão

sem encontrar uma arma no interior

não se pode colher uma rosa do campo

sem que os seus espinhos nos arranhem o rosto

não se pode comprar um livro

que não vá explodir entre os nossos dedos."

O meu filho senta-se à beira da minha cama

e pede-me que recite um poema

Uma lágrima cai dos meus olhos para a almofada.

O meu filho apanha-a, surpreendido, dizendo:

"Mas esta é uma lágrima, pai, não é um poema!"

E eu digo-lhe:

"Quando cresceres, meu filho,

e aprenderes o 'diwan' da poesia árabe

descobrirás que palavra e lágrima são gémeas

e que o poema árabe

não é mais do que uma lágrima chorada

por dedos que escrevem."

O meu filho pega nos seus pincéis,

a caixa de pinturas à minha frente

e pede-me que lhe desenhe uma pátria.

O pincel treme nas minhas mãos

e eu afundo-me, chorando.

 

Nizzar Qabbani

publicado por MariaLua às 14:23
Terça-feira, 17 / 04 / 07

Voar

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-  Podes ensinar-me a voar???


- Mas tu já consegues voar!


- Eu? Como???


- Tu já tens as ASAS dentro da tua cabeça!


 


Beijos e bom dia!


Maria Lua


 


 

publicado por MariaLua às 12:13
Segunda-feira, 18 / 12 / 06

Conto de Natal

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Olá amigos! Aqui ficam os meus mais singelos votos de Natal em forma de conto! Tudo de bom para vós e: Feliz Ano Novo.


A vossa: Maria Lua


Conto de Natal de Sylvie Garroche


"A Marcha do Tempo"


 Era uma vez um velhinho que caminhava com um passo lento num caminho pedregoso. Tinha o dorso arqueado e as suas roupas pendiam um pouco miseravelmente ao longo do seu corpo. Seguia-o um cão arrastando a pata e com a língua de fora. Não se sabia qual dos dois estava pior. E eis que o cão caiu morto de cansaço. O homem limitou-se a olhá-lo com um ar infinitamente triste e continuou o seu caminho. Sozinho novamente, o velho parecia transportar no seu olhar toda a miséria do mundo.


 Um pouco mais à frente, uma criança correu ao seu encontro e com a confiança e espontaneidade dos pequeninos disse:


 - Posso ir contigo?


 - Se quiseres- respondeu o homem.


 O pequeno saltitava ao seu lado. Depois, perguntou-lhe:


 - Porque é que o sol se deita todas as noites?


 - É necessário que o sol se deite todas as noites para que se possa levantar-se -respondeu o velhinho com o ar mais sério do mundo.


 - Isso é verdade, eu nunca tinha pensado nisso - retorquiu o menino.


 O velhinho sorriu e de repente a criança foi-se embora, tão naturalmente como tinha vindo.


 - Tenho que voltar para casa. Adeus velhinho.


 - Adeus pequenote.


Caminhava desde que o mundo é mundo


Mais longe ainda, um homem aproximou-se do velhinho. Tinha uns


quarenta anos mais ou menos, mas não tinha bom aspecto. Este homem tinha preparado a sua trouxa e preparava-se para partir para longe. Vendo o velhinho na sua estrada, disse para consigo:


 - Muito bem, eis que encontrei um companheiro!


 E pediu-lhe para acompanhá-lo. O velhinho aceitou. Ele nunca recusava uma companhia, qualquer que ela fosse. Durante longas horas, ele escutou atentamente o homem que contava as suas infelicidades e, pouco a pouco, este parecia sentir-se aliviado.


Chegada a noite, passaram junto de uma cabana. O homem com a trouxa começava a sentir-se fatigado e propôs:


 - Está-se a fazer noite. Pernoitemos aqui.


 Mas o velhinho respondeu que devia continuar o seu caminho. O velhinho, sem abrandar a sua caminhada, acenou-lhe amigavelmente. Depois, afastou-se na escuridão e o barulho dos seus passos perdeu-se na espessura da noite.


E os dias continuaram o seu curso; o velhinho caminhava sempre. Apesar do seu ar vagabundo, inspirava respeito àqueles que encontrava. Frequentemente, quando passava perto de um casa por volta do meio-dia, as mulheres interpelavam-no:


 - Ei, velhinho, tens um ar fatigado. Vem partilhar o pão connosco e repousar um pouco!


 Ele respondia:


 - Obrigado, mulher generosa, mas não é possível. Eu sou o tempo e o tempo nunca pára.


 Então uma criança correu atrás dele para lhe dar ao menos um pedaço de pão e deixá-lo prosseguir a sua viagem sem fim. No entanto, o velhinho teria gostado de parar ao menos uma vez, poder repousar as suas pernas cansadas, nem que fosse por alguns minutos e contemplar, imóvel, um rosto virado para ele. Mas o tempo tem outro destino: caminhava desde que o mundo é mundo. Caminhava de dia, caminhava de noite, sob o sol e a chuva. Já tinha percorrido todos os caminhos da terra e recomeçava, eternamente.


Uma noite em que caminhava sem parar, pareceu-lhe que o céu estava mais claro do que de costume e que o ar tinha um sabor diferente. Endireitou as costas para respirar a plenos pulmões e sentiu-se alegre sem saber porquê. Três pássaros esvoaçaram à sua volta chilreando ao mesmo tempo, como para lhe anunciar alguma coisa. Ao longo do caminho, viu que as flores se tinham esquecido de fechar a corola com a noite. Elas abriam as pétalas e ofereciam o coração à carícia da lua. Como era bom caminhar naquela noite!


Depois, levantando a cabeça, o velhinho notou no céu uma estrela que não conhecia. Desde que caminhava, tinha já contado e recontado todas as estrelas: aquela, tinha a certeza de nunca a ter visto. E como era bonita, aquela nova estrela, que brilhava com mil luzes sem encandear os olhos! O velhinho fixou nela o seu olhar. A estrela avançava suavemente e seguiu-a sem quase se dar conta disso.


Teve a impressão de também sentir a respiração da noite, uma brisa suave que invadia o silêncio. Era mesmo uma música, que tinha começado como um sussurro e que se aumentava agora, envolvendo a terra com um manto de cânticos e notas.


Num cruzamento de caminhos, três homens que caminhavam com um passo decidido juntaram-se a ele. Um pouco mais à frente havia um outro grupo. O velhinho distinguiu entre eles vozes de mulheres e de crianças.


E ouviu descer um rebanho de uma colina, fazendo tilintar as campainhas e ressoar os chamamentos dos pastores. No entanto, àquela hora deveria dormir-se. Que faziam eles, naquela noite, caminhando todos na mesma direcção?


- Onde ides? - perguntou o velhinho.


- Nasceu o Salvador. Vamos adorá-lo - responderam-lhe de todos os lados.


Era então isso! Chegavam agora pessoas de todos os lados. O velho juntou-se à multidão dos primeiros peregrinos que tinham chegado das colinas e a música do céu ritmou o barulho dos seus passos.


De seguida, na parte debaixo de uma pequena colina, descobriram uma pobre gruta. A estrela tinha parado por cima dela e inundava-a com uma luz suave. Um a um os pastores correram para a porta. O tempo compreendeu que era para chegar ali que caminhava há séculos. Como os pastores que o rodeavam, também ele, pela primeira vez na sua longa, longa vida, parou.


Não se passou nada de extraordinário. O Menino estava lá, entre José e Maria, e os seus grandes olhos abertos acolhiam cada um dos que entravam com uma infinita doçura. Todos se ajoelharam. Cada um apresentou-se, na sua vez. Muitos tinham trazido presentes: pequenos objectos cheios de amor que tinham escolhido com toda a ternura do seu coração.


Quando chegou a vez do velhinho se apresentar, mostrou as suas mãos vazias.


- Não tenho nada para oferecer, disse. Eu sou o Tempo, mas este Tempo eu dou-to.


O Tempo prostrou-se por terra. Maria veio pousar a mão no seu ombro.


- Também tu, caro velhinho, vais receber um presente - disse-lhe ela. Doravante, terás o poder de parar a tua marcha sempre que isso for necessário.


- Como é que eu saberei que esse momento de parar é chegado? Perguntou-lhe o velhinho.


- O teu coração to dirá.


E foi tudo. Depois dele, um pastor ofereceu-lhe um cordeiro recém-nascido e uma menina cantou a mais bela canção que conhecia. Pela pequena porta estavam sempre a entrar novos visitantes. Não se pode dizer quanto tempo tudo isto durou. Parecia que o tempo já não existia. E é verdade que tinha parado e que olhava maravilhado a festa que decorria à sua volta.


Foi o último a partir. Mas quando se levantou, já não era um velhinho como até ali: retomara o aspecto de um jovem, na força da idade. Ao deixar a gruta e ao retomar o seu caminho, fechou os olhos por alguns instantes para contemplar dentro de si este momento tão belo que acabava de viver. Depois, abriu-os e a terra parecia-lhe diferente da que ele conhecia. Ou melhor, seria ele que tinha mudado?


Mais tarde, já em pleno dia, caminhando com um passo suave sob o sol, encontrou uma velhinha carregando lenha. O molho tinha um aspecto pesado para ela que caminhava com dificuldade. A carga era da sua altura e, de repente, toda a lenha caiu e se espalhou pelo chão. Imediatamente uma vozinha infiltrou-se no coração do Tempo:


“Pára” - sussurrava-lhe a voz, e o Tempo parou.


- O molho é grande e pesado para uma mulher tão frágil como a senhora - disse o Tempo. Deixe-me ajudá-la!


À vista do olhar de agradecimento da mulher, ele apanhou os paus de lenha e carregou-os aos seus ombros.


- Onde vamos agora? - Perguntou o tempo num tom alegre. E acompanhou-a até à sua casa.


Para lhe agradecer, ela quis retê-lo e oferecer-lhe alguma coisa. Mas ele recusou a oferta.


- Desta vez eu devo partir - disse o Tempo, e fez-lhe um grande sorriso que lhe aqueceu o coração para todo o dia.


Depois, ele continuou a sua marcha muito feliz. Sentia-se mais leve que o ar e mais luminoso que a luz.


E é desde esse dia que, como certamente já adivinharam,


o Tempo pára quando se ama.


 

publicado por MariaLua às 10:35
Quarta-feira, 20 / 09 / 06

O Meu Amor Existe

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O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina


O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito


O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.


O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.


(Jorge Palma)


 


Olá amigos! Estou de partida para Beja para mais um ano de formação fantástica na area da literatura e dos contos. Falo-vos das: "Palavras Andarilhas" estou em "Pulgas" para partir...


Beijinhos e até uma próxima oportunidade!


Maria Lua

publicado por MariaLua às 12:35
Sexta-feira, 11 / 08 / 06

O DESTINO DOS LIVROS ESTÁ ESCRITO NAS ESTRELAS

 

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Os adultos perguntam com frequência o que acontecerá aos livros quando as crianças deixam de os ler. Talvez esta seja uma resposta: «Nós carregá-los-emos todos em enormes naves espaciais e enviá-los-emos para as estrelas!» Uau...! Os livros são realmente como estrelas num céu nocturno. Há tantos, não podem ser contados e frequentemente estão tão longe de nós que não ousamos procurá-los. Mas imaginem só como ficaria escuro se um dia todos os livros, esses cometas no nosso universo cerebral, partissem e cessassem de fornecer essa energia ilimitada da imaginação e do conhecimento humanos... Valha-nos Deus! Vocês dizem que as crianças não podem compreender uma ficção científica como esta?! Muito bem, eu viajarei para a terra e permitir-me-ei recordar os livros da minha própria infância. De qualquer maneira, isto é o que me veio à mente quando eu estava a olhar para a Ursa Maior, a constelação a que nós, Eslovacos, chamamos «Grande Carroça», porque os meus livros mais preciosos me chegaram numa carroça... Isto é, não chegaram inicialmente a mim, mas à minha mãe. Foi durante a guerra. Um dia, estava ela à beira da estrada quando passou chocalhando uma carroça – uma carroça de feno atulhada de livros e puxada por uma parelha de cavalos. O condutor disse à minha mãe que estava a transportar os livros da biblioteca da cidade para um lugar seguro, para impedir que fossem destruídos. Nesse tempo a minha mãe era ainda uma menina pequena, ansiosa por ler, e à vista daquele mar de livros os olhos dela iluminaram-se como estrelas. Até então só tinha visto carroças cheias de feno, palha ou talvez estrume. Para ela uma carroça cheia de livros era como algo saído de um conto de fadas. Arranjou coragem para pedir: «Por favor, não poderia dar-me ao menos um livro dessa grande pilha?» O homem sorriu, assentiu, saltou da carroça abaixo, desatou um dos lados e disse: «Podes levar para casa todos os que caírem no caminho!» Alguns volumes caíram ruidosamente na estrada poeirenta, e pouco depois aquela estranha carroça já tinha desaparecido numa curva da estrada. A minha mãe apanhou os livros, com o coração a bater furiosamente de excitação. Depois de lhes limpar o pó, verificou que entre eles, perfeitamente por acaso, havia uma edição completa dos contos de Hans Christian Andersen. Nos cinco volumes de várias cores não existia uma única ilustração, mas aqueles livros iluminaram milagrosamente as noites que a minha mãe tanto temia. Isso acontecia porque durante aquela guerra ela tinha perdido a sua própria mãe. Quando lia aqueles contos ao serão, cada um deles era para ela um pequeno raio de esperança, e com uma imagem tranquila no coração, pintada com pestanas meio fechadas, podia adormecer sossegadamente, pelo menos durante um bocado... Os anos sucederam-se e aqueles livros passaram para mim. Eu levo-os sempre comigo pelas poeirentas estradas da minha vida. De que poeira é que eu falo, perguntam vocês? Ah! Talvez eu estivesse a pensar na poeira de estrelas que se instala nos nossos olhos quando nos sentamos numa cadeira a ler numa noite escura. Isto é, se estivermos a ler um livro. No fim de contas, nós podemos ler todo o tipo de coisas. Uma face humana, as linhas da palma de uma mão, e as estrelas... As estrelas são livros num céu nocturno e iluminam a escuridão. Sempre que eu duvido se vale a pena escrever mais um livro, contemplo o céu e digo para mim próprio que o universo é realmente infinito e que ainda deve haver lugar para a minha pequena estrelinha.


 


 Ján Uličiansky


 

publicado por MariaLua às 10:03
Terça-feira, 09 / 05 / 06

ASAS

 

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Olá a todos! Há já algum tempo que cá não vinha mas agora voltei!!!

 

Hoje porque me apetece sentir sensações decidi vaguear por ai com o objecto do magnifico poema dos GNR... aproveitem-no também e descubram tudo...

 

 

 

 

beijos GRANDES da :

 

Maria Lua

 

  

 

  

 

Asas servem para voar

 

para sonhar ou para planar

 

Visitar espreitar espiar

 

Mil casas do ar

 

 

 

As asas não se vão cortar

 

Asas são para combater

 

Num lugar infinito

 

para respirar o ar

 

 

 

As asas são

 

para proteger te pintar

 

Não te esquecer

 

Visitar espreitar-te

 

bem alto do ar

 

 

 

Só quando quiseres pousar

 

da paixão que te roer

 

É um amor que vês nascer

 

sem prazo, idade de acabar

 

Não há leis para te prender

 

aconteça o que acontecer.

 

 

GNR in PoP LeSS

 

publicado por MariaLua às 10:21
Quarta-feira, 15 / 03 / 06

As nossas viagens...

  Ao meu querido Bruno Batista, sem mais palavras mas com muito sentir...


Maria Lua


 


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Cavaleiro Andante


by Carlos Tê / Rui Veloso


 


 


Porque sou o cavaleiro andante


Que mora no teu livro de aventuras


Podes vir chorar no meu peito


As mágoas e as desventuras


 


Sempre que o vento te ralhe


E a chuva de Maio te molhe


Sempre que o teu barco encalhe


E a vida passe e não te olhe


 


Porque sou o cavaleiro andante


Que o teu velho medo inventou


Podes vir chorar no meu peito


Pois sabes sempre onde estou


 


Sempre que a rádio diga


Que a América roubou a lua


Ou que um louco te persiga


E te chame nomes na rua


 


Porque sou o que chega e conta


Mentiras que te fazem feliz


E tu vibras com histórias


De viagens que eu nunca fiz


 


Podes vir chorar no meu peito


Longe de tudo o que é mau


Que eu vou estar sempre ao teu lado


No meu cavalo de pau


 

publicado por MariaLua às 12:19
Este é o lugar dos Contos e das imagens. Aqui estará SEMPRE no mundo da "Lua" onde é obrigatório SENTIR. Seja bem Vindo!

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