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Existem buracos negros em todos os sítios onde ponho os pés, ou então são minas. Tenho medo. E tenho também medo que o mundo saiba que tenho medo. No entanto caminho e rodeio-me de sensações. São estas que me fazem sentir viva. Algumas músicas, cheiros e cores lembram-me momentos felizes que já vivi e dão-me a força suficiente para os querer repetir e viver tudo de novo. Tenho passado a vida tentando viver várias vidas ao mesmo tempo, talvez numa tentativa desesperada de me inclinar para uma. Mas agora cresci. Já não pretendo a excentricidade. Acho que fico mais feliz com a minha banalidade. Porque essa banalidade é mais calma e faz-me sentir mais eu. Momentos banais também têm a sua poesia e convertem-se facilmente em momentos mágicos, canções, cheiros e cores a recordar. E gosto disso. Entendo os outros nas suas vidas e afazeres. Cheiro-os, sinto-os e vivo-os como se fossem eu. Às vezes quando vou na rua e olho para uma janela da casa de alguém instintivamente ponho-me no lugar de quem lá vive e tento, naquele momento viver essa existência e isso dá-me um gozo tremendo. Já me chamaram louca. Rio-me. Acho que sou mesmo. Mas acho que não queria ser uma não louca... Os não loucos não vivem! Passam por cá única e exclusivamente para cultivarem as suas embalagens e as venderem em praça pública e eu não quero isso para mim nunca. Gosto de me sentir limpa e de viver à minha maneira e ficar feliz por isso. Quando a felicidade me sobra transbordo-a para os que amo e fazendo-os felizes faço-me feliz outra vez. E isto é magnífico. Partilho-me. Partilho-me muito, não concebo a minha existência sem isso. E foi perdendo-me várias vezes que descobri que a solução estava em mim. Um dia puxei-a para fora e respondi a todas as minhas perguntas sem resposta e agora aqui estou eu viva, para o que der e vier (...) Claro que também tenho os meus dias cinzentos mas no momento mais escuro, quando as nuvens cobrem completamente o azul do céu logo me surgem arco-íris (vindos sabe Deus de onde) que me preenchem a alma e me fazem continuar a caminhar. Por isso vos digo amigos: Por mais escuro que seja o túnel da vossa vida acreditem que existe sempre uma luzinha.

 

 

Maria Lua

publicado por MariaLua às 15:12