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 Foto de:Nuno torres

 

 

 

 

Conheci-a é verdade..toca-me profundamente. Vive a vida como se fosse um toque de magia. Acredita nessa magia com uma energia tal que cativa quem com ela se cruza. E depois, vive com uma intensidade tal que sem querer acaba por nos arrastar. Quando a conheci estava a passar uma fase menos boa, encontrava-me à procura de respostas. Vivia em função do passado e de alguns sonhos do futuro. Não tinha tempo presente entendem? Ela (re)mostrou-me algumas partes da minha alma que são muito lindas e que quase havia esquecido. Afinal, os príncipes e princesas dos castelos com toda aquela mitologia que os rodeia existem mesmo. Se calhar são a única coisa que existe de verdade. Só que hoje em dia se disfarçam, tem medo de se tornar pirosos. Gostam de ser originais e usam jeans de marca e coisas diferentes... mas esqueceram-se de lhes mudar as almas e por isso sentem da mesma forma. São assim almas antigas a viver em corpos novos. É verdade, sinto-me perdido. Isto de ser homem tem mais que se lhe diga. Se fosse mulher poderia chorar nos braços de um homem suficientemente forte e másculo que me diria palavras bonitas e eu ficaria melhor. Mas sou homem. A sociedade robotizou-nos e escreveu (não sei bem onde) que nós temos de ser o sexo forte e ficar sempre bem e não chorar. Ás vezes apetece-me chorar. E choro. Mas sozinho. Guardo-me no meu mundo interior e penso em coisas que gostava de fazer e não fiz, em coisas que gostava de ter e não tive. Uma família por exemplo. Vivo procurando-me nas famílias dos outros. Tentando encontrar o que me falta. Nunca fui muito feliz com a minha própria família.. senti-me sempre a crescer à parte, nunca vi beijos ou abraços ternos e palavras ditas ao luar. Só negro. Muito negro. E conversas vazias afiadas como facas e agressões e dores. Era como se todos vivessem de costas uns para os outros. E isso traz-nos solidões e vontade de partir sem rumo. Às vezes o importante não é o dinheiro, mas sentir.. de que me serviu ter dinheiro se não sentia nada? Era como ter à minha frente o meu prato predilecto e come-lo sem sentir qualquer sabor. Aprendi a viver sozinho. Acho que esse facto trouxe-me a capacidade de sonhar e de recriar as realidades embora por vezes o chamado mundo real me magoe e assuste um pouco. Não me sinto bem quando as pessoas me enaltecem. Sinto-me inseguro. Mas isso são outras histórias. No fundo gostava de exteriormente ter um "eu" tão belo como interiormente. Mas que se lixe. Ela a tal (que não sei se existe) um dia er-me-á como sou. Encontro-a realmente muitas vezes. Mas em muitas mulheres, todas elas tem um bocadinho do que sonhei para mim. Por isso não me prendo. Sigo. E vou sentindo-as e sorrindo-lhe tentando pôr-lhes dentro um pouco de mim, cativando-as para dessa forma me sentir melhor comigo mesmo. Sou assim. Inseguro, indeciso.. sempre com medo de magoar. Fico sempre sem saber até onde posso ir. E condicionado ás minhas próprias limitações. Sou complicado é verdade. Mas com uma vontade muito grande de ser, de sentir. De ir. E que ninguém me peça para ficar. Porque tenho medo. No entanto sei que ela será sempre um pouco do meu sol e que mesmo que a perca encontra-la-ei muitas vezes nas minhas viagens solitárias sobre o silêncio das nuvens (sitio onde ambos gostamos muito de planar.. de flutuar.. de fluir..) e sei também que com ela será sempre como a diz a canção da Mafalda: - Sei de cor cada lugar teu atado em mim a cada lugar meu- Por isso, mesmo que nos percamos um dia, encontrar-nos-emos.. Eu sei.

 

Maria Lua

publicado por MariaLua às 18:28