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"Quero acreditar que é verdade e que ela é mesmo assim. Apoio-me nessa ideia para me sentir um pouco menos culpado do que fiz um dia a uma mulher. Tento fazer esta feliz e acreditar que tudo o que pensa de mim corresponde à realidade. É bom para o meu ego ouvi-la sonhar-me. E penso que por um motivo qualquer é bom para ela também senão não viveria tão entusiasmada com a minha pessoa. Enquanto falamos fico assim parado no tempo e no espaço a ouvi-la propor-se preencher os buracos negros da minha alma e a tentar acreditar que a minha essência está mesmo a rodopiar e sou adolescente outra vez com muitos sonhos e momentos para viver. Mas é só naquele momento. Quando ela parte esqueço. Vivo a mesma rotina. Acho que ela quer que a recorde sempre, que pense nela. É pretensiosa, mas é engraçada, louca, e ás vezes divina. Seres perfeitos não existem. Existem palavras bonitas e ilusões de realidades felizes. Navego nela e nas suas palavras que me acalentam a alma e fazem voltar a querer sonhar, a querer viver. E que inconscientemente me fazem crer em mim novamente. Um anjo virtual? Um sonho? Pode ser. Mas ela tem um nome e vive (Iludida com um sonho qualquer que também não deu certo). Não me apetece vê-la nem ouvir a sua voz. Prefiro ficar com esta ilusão doce do que sinto que ela é. E viver na ânsia da espera. Sempre me diz que na vida nada acontece por acaso. Que se nos conhecemos é porque temos um sonho comum a partilhar. Não a entendo bem... acho que quando diz isso não está a falar de um relacionamento. Mas de partilha e complementaridade humana. Fala-me de magia e de momentos felizes. Deixo-me levar e sonho. Acho-a diferente e doce. Morre de medo de prisões e jaulas. E eu dava tudo para ficar preso outra vez... Já passou tanto tempo. Mas a dor continua. Tento supera-la procurando desesperadamente encontrar bocadinhos dela noutras pessoas e recordar o que de bom tivemos. Jurei a mim próprio nunca mais me deixar enfeitiçar. É como uma fobia, um medo de errar de novo. É daí que vêem os vazios. Guardo secretamente a esperança de um dia voltar a ter esse alguém nos meus braços outra vez e despertar de novo para os seus sorrisos. Mas confesso: Ela toca-me a alma. Faz-me sorrir. E eu há tanto tempo que não tinha vontade de sorrir. No entanto, quero vive-la e recorda-la só assim... como algo etéreo e esvoaçante ou mesmo um veludo suave que me desperta os sentidos e as emoções e me faz sorrir: Sorrir muito!"

 

 

Maria Lua

 

publicado por MariaLua às 10:29