Hoje tenho para partilhar convosco um curto filme de animação. Espero que vos toque tanto como a mim. Para felicidade dos homens o mundo terá de ser contabilizado não por números mas por sonhos realizados.
Bem hajam!
Maria Lua
Hoje tenho para partilhar convosco um curto filme de animação. Espero que vos toque tanto como a mim. Para felicidade dos homens o mundo terá de ser contabilizado não por números mas por sonhos realizados.
Bem hajam!
Maria Lua
Vivemos num pequeno mundo onde as pessoas deixaram de conhecer o significado da palavra SER para a substituir por TER. Vivemos numa corrida desenfreada para chegar sabe-se lá onde… entretanto existem pessoas neste mundo que aderiram ao movimento SLOW LIFE que é muito mais do que apenas SLOW FOOD. Essas pessoas desconhecem totalmente o significado da palavra: DESENRRASCAR….
Já pensou nisso???
Hoje deixo algumas musicas para o fim de semana!
Bom fim de semana!
Maria Lua
DEDICO ESTE POST A TODAS AS MULHERES QUE LUTAM TODOS OS DIAS E NÃO APENAS EM DIAS INTERNACIONAIS!
Passamos a vida controlados pelo tempo à espera que venha o tempo de ser feliz... vivemos sempre na expectativa do amanhã, do realizar amanhã, do ser feliz amanhã, do viver amanhã...
Amigos... na prática nada disto acontece... o tempo passa e as coisas nem sempre melhoram! O tempo não pára.
Então porque não fazer HOJE o que planeou fazer amanhã?
NAO ESPERE! HAJA!!!
NÃO PODEMOS ADIAR O CORAÇAO....
( E ás vezes o amanhã nunca chega... ou vem mascarado de ontem, ou pura e simplesmente deixa de nos interessar ou vem tarde de mais)
Hoje é dia de acreditar.
Este HOJE poderia ser um dia qualquer. Perante todas as dificuldades, as coisas menos boas, as tristezas e as catástrofes existe sempre um HOJE que é o dia indicado para recomeçar e voltar a acreditar. Temos o dom da vida. A capacidade de pensar, de nos mexermos de sorrirmos e existe um mundo enorme à espera de ser (re) descoberto. Um mundo cheio de hipóteses, de soluções e também meus amigos: de finais felizes. (Sim, porque não? Para variar acho que é um bom tema).
Por isso é bom que nos enchamos de bons presságios, usemos cores garridas, soltemos de dentro a nossa gargalhada mais profunda (tipo yoga do riso) façamos sorrisos que acreditam e entremos em cumplicidade connosco próprios como se estivéssemos “grávidos” e voltássemos a acreditar utilizando a frase da famosa publicidade: “GRÁVIDA OU NÃO? A PRIMEIRA A SABER ÉS TU” (…). Sim porque a perfeição está ai. Envolve-nos diariamente e não tem culpa da estupidez dos homens…
Bem hajam!
Maria Lua
"O importante é estar. Não interessa por quanto tempo. Mas estar. Trocar experiências, partilhar, dar sorrisos ou dores que ensinam. Viver só durante o tempo certo com. Ou menos que o tempo certo, nunca mais. Senão abrem-se feridas incuráveis e começam as dores. Sentir. Usar os sentidos até á exaustão. Não fingir. Caminhar ao lado sem cair. Dar a mão e florir. Depois ou recordar com sorrisos e muito azul, ou cheirar o ar e corar. E desejar. Isso sim é viver. Ficar sem ser é tédio, não se "fica" parte-se sem rumo e para o vazio. " (...)
Coisas pequenas são
coisas pequenas
são tudo o que eu te quero dar
e estas palavras são
coisas pequenas
que dizem que eu te quero amar(...).
Madredeus
Tenho muita sorte. Deveras muita sorte!
Existe um ELFO na minha vida. Ou melhor uma ELFA.
(Shiuu… porque é segredo).
É um SER especial e fragiló-forte que me dá alento e me tem vindo a ajudar nesta minha viagem de descoberta por tudo o que existe.
Juntas já enfrentamos muitas batalhas (confesso que algumas eram utópicas e existiam apenas algures dentro de um dos nossos neurónios).
Desde que me conheço que sempre me tem vindo a ajudar a enfrentar os papões. Quando eles aparecem ela transforma-se em lobo e fica extremamente agressiva.
É de fugir meus amigos!
Mas o mais estranho disto tudo é que segundo me confessou, também ela tem um medo terrível do papão, inclusive sente-se perseguida por ele desde o seu nascimento. Apenas aprendeu a enfrenta-lo e a defender-se… mas as cicatrizes estão lá…
Entretanto tenho vindo a crescer (sim… esse é o destino dos humanos). Refiro-me como é evidente a crescer por dentro, a tentar compreender o mundo dos aromas e as suas preocupações a enfrentar o vento sem me deixar levar pelos ares. Mas quero que a minha ELFA saiba que AMODORO (amo+adoro) tudo o que ela me tem vindo a dar. E que tenho muito orgulho em SER quem SOMOS : )*
AMO-TE MÃE!
Nota: Junto envio-te um filme que fala de PAPÕES (…) eles existem realmente. Mas tenho boas notícias para ti: Os lunáticos e os dias de primavera também…
Maria Lua
Guardei-as dentro do pensamento e nunca mais foram minhas!
Entretanto procuro-as diariamente nos sorrisos, nas coisas pequeninas e em tudo o que normalmente não é apreciado pelo mundo e que tem o valor das coisas imateriais e infindáveis – para quem tem espírito de explorador (mas sentidas dentro do coração).
Conheço a dor da descida aos infernos. É um sofrimento atroz ver tudo escuro e sem brilho. Enche-nos de dores inconformadas, de vazios, de temores e de solidão. Nesses momentos pareço uma eterna adolescente num mundo de abutres e coisas más (…)
Mas depois os raios de sol começam a entrar mansamente “como-quem-não-quer-a-coisa” e instalam-se-me no ego convidando-me a subir.
Ai desfruto de alegrias e prazeres indescritíveis (a sensibilidade extrema permite-nos viver destes pequenos prazeres). Se o sofrimento é exacerbado para nós os sensíveis, as alegrias e subidas aos céus também o são. E é nesses momento que AS volto a encontrar.
Estou a falar das minhas ASAS claro.
Livro sugestão do dia:
Receitas de Amor para Mulheres Tristes
de Héctor A. Faciolince
Edição/reimpressão: 2000
Páginas: 116
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722325554
Coleção: Grandes Narrativas
Sinopse
Uma série de "receitas" em belíssimos textos, traduzidos pelo poeta Pedro Tamen, para ajudar à cura dos "males de que padecem as mulheres, ou a identidade feminina", que vão da infelicidade à traição, à frigidez, ao receio de ficar velha, ao nervosismo, ao medo das sogras, ao mau hálito, etc., etc., através duma sabedoria que vem de trás e que conhece o "feminino" em profundidade. Isto apesar de o autor ser um homem. Mas que teve cinco irmãs, ou seis mães, como ele diz, e a quem dedica esta obra. Ele, Faciolince, apenas "gostava de ser (...) um bom boticário, um farmacêutico, o senhor das receitas que te perfumem (mulher triste) a fantasia." Experimente, para ver se resulta.
Amanhã não devo vir! Por isso: Bom fim de semana. Vamos todos aproveitar para sorrir ao sol.
Maria Lua
Olhei lá para dentro outra vez…
O escuro impedia-me de ver o que estava lá no fundo, mas a minha curiosidade foi mais forte…
Rebusquei os bolsos à procura de alguma coisa que pudesse fazer luz na escuridão, um isqueiro, uma caixa de fósforos sei lá… (como sou fumadora deveria ter sido fácil mas não foi…)
E foi então que ouvi a sua voz:
- Olá!
Fiquei assustada confesso. Olhei à minha volta procurando o dono da voz mas estava realmente só naquele espaço.
E foi então que a sua voz interrompeu de novo o silêncio:
- Estou aqui dentro. Bem à tua frente.
Olhei à volta novamente, completamente perplexa com o que estava a acontecer.
- Aqui em baixo! - Disse a voz
O coração acelerou-se-me e ficou totalmente descompassado, suores frios percorreram-me a espinha e as entranhas e encheram-me de tonturas, comecei a congelar…
A voz vinha realmente de dentro do buraco. Perante todo o pânico que senti apenas consegui que me saíssem da boca sons quase imperceptíveis que queriam dizer:
- Quem és tu?
A resposta veio prontamente:
-Sou tu!
Achei que estava a delirar, tal situação parecia-me totalmente descabida e implausível. Estaria eu a enlouquecer? Talvez…
A voz prosseguiu como se adivinhasse o meu pânico:
- Não. Não estás a sonhar! Sou a voz do teu inconsciente, aquela que geralmente chamas cada vez que não consegues fazer as coisas como gostarias. Costumas sempre ser tu a falar comigo. Até hoje nunca te respondi… aguardei que ultrapassasses as cenas. Mas não, não estiveste à altura dos desafios que a vida te propôs. Tu própria fizeste-nos cair dentro do buraco tu e só tu!
… ACORDEI! (ufa ainda bem que foi só um sonho…) mas pode acontecer…
Já sei… VOU APAGAR O BURACO E COMEÇAR A VIVER!
Maria Lua
Mascara-se de SER para viver a vida de quem consegue possuir. Apodera-se dos segredos, dos batimentos cardíacos (e às vezes até dos sonhos) de quem possui…
Alimenta-se de amargura, de pessimismo, de dores inconformadas e outras coisas “assim-assim”. Tem como únicos objectivos CONGELAR e DESTRUIR.
CUIDADO: ELE ANDA POR AI À SOLTA !!!
Por isso Tenha MEDO… muito MEDO… buuu…
Maria Lua
Todos os dias escrevemos um pouco da história da nossa vida. É-nos dado um mote, um argumento, personagens, situações.
Questiono-me muitas vezes até que ponto temos livre arbítrio para o fazer e de qual será a forma da caneta com que o fazemos. Poderá ter a forma de uma habitual caneta que escreve no tempo ou a forma de uma mão ou de um pé ou simplesmente de um coração. (Sim definitivamente gosto desta metáfora).
E que tipo de material será usado para a escrever? Penso que o criador jamais usaria papel. (No entanto tem piada imaginar um lugar algures cheio de velhos livros empoeirados repletos de histórias e novelas de vidas humanas - A ideia de um Deus editor livreiro diverte-me!)
Talvez a memória exista como suporte. E esse legado faz de todos os humanos contadores de histórias.
E sempre assim será até final dos tempos.
Mas atenção meus queridos: face ao exposto é essencial saber escrever muito bem....
Maria Lua
E novamente me perdi no jardim de Alice… teimosa como sempre percorri o caminho do acreditar e fui lá dar…
As rosas trepadeiras murmuraram-me ao ouvido a sua não vontade de serem pintadas outra vez, dizendo estarem fartas de mudar de cor sem querer…
Fico sempre desajustada quando aqui venho. Ora a crescer ora a diminuir nunca me sinto com o tamanho certo...
Maria Lua
Aguardo ansiosamente a chegada das andorinhas de asa vermelha pois só elas detêm do dom da redescoberta na plantação de sois no coração humano (…)
(...) São puras como nada ou ninguém… trazem sementes de ‘bonaventure’ e reconstroem a nossa inspiração de sonhos por viver.
Aguardo-as e sorrio. Sinto-me engravidar de esperança e de doçuras por viver... não quero ser apenas SOMBRA. Quero iluminar-me de calor de estrelas e de presenças que me permitam manter-me acordada.
Está ai alguém ?
Maria Lua
EIS-NOS CHEGADOS AO CORAÇÃO DAS COISAS…
Existem umas luzes intermitentes que nos impedem de seguir na penumbra.
(São pirilampos mágicos que nos acodem sempre em momentos de aflição e nunca se esquecem de nós, têm olhos e mãos especiais. Uau!).
Procuramos abrigo no refúgio secreto guardado dentro do coração dos pássaros (é uma viagem breve mas difícil se não se amar o suficiente.
A partida começa sempre no TUDO O QUE SENTIMOS - é um lugar mágico acreditem!).
Ai abraçamos a DOR POR TODAS AS COISAS e seguimos em frente na primeira agonia à esquerda que de repente se transforma num enorme
GIRASSOL SOLARENGO. Ficamos a sentir o seu calor durante um bocadinho e então é hora de continuar viagem.
Depois de passarmos pelo vale dos SILÊNCIOS FUTEIS E APENAS MUNDANOS encontramos o JARDIM DAS FLORES ARCO-ÍRIS que se
apodera dos nossos sentidos e quase nos convence a ficar para sempre… Mas o nosso SER sabe que ainda não chegou o momento… e que é
preciso continuar o caminho para ser… SER! (Tás a ver não tas?).
Depois de muitas pedras e atalhos atabalhoados cheios de sombras negras e muitas alucinações encontramos (com alguma sorte e se formos
perspicazes) outra vez os pirilampos de mãos e olhos de luz que nos indicam que chegamos à meta.
Mas ficamos indefinidamente em viagem de descoberta por tudo o que existe e cada vez o nosso SER se torna mais. :)
Mais tarde e já reconfortados pelo calor dessas mãos e pelo brilho desses olhares compreendemos que para se SER basta apenas EXISTIR e
querer [saber) substituir a matéria por sentimentos…
Maria Lua
A meu irmão no dia 26 de Outubro de 2011
O vazio dói…
E o escuro também...
Hoje descobri o nevoeiro dos dias de Outono e abandonei-me à sombra do meu tempo por viver…
Busquei a inquietação de ser, e só encontro precipícios a invadir-me o ego! Não quero cair... Estou descontente com os icebergs da memória e gostava que neste dia alguém me arrancasse o resto do coração pois viver só com uma parcela deste órgão faz-me sentir um andróide e não crer…
(…)
Mas eu quero crescer!
Ainda guardo pássaros com cantares felizes (que neste momento estão guardados na gaiola da solidão, da qual perdi a chave)
E por dentro do podre das árvores há folhas verdes e flores ( que não conseguem sair para descobrir o sol pois sabem que cá fora lhes espera o Cinzento) …
(…)
Mas quero viver!
Restam-me planetas de esperança e visões acreditáveis de ser feliz (das quais neste momento só vejo sombras, mas sei que lá estão… [obrigada Platão]).
E os nenúfares são da cor do arco-íris e banham o lago da minha vida como se fossem lâmpadas a iluminar uma sala escura… (mas hoje falta a luz).
E assim volto ao vazio: que dói!
E fico no escuro: Á espera que voltes e tragas o mar contigo!
(Olha que já tenho o barco pronto…)
Amo-te!
Maria Lua
Existem estrelas que aquecem os sonhos e sonhos que povoam vidas e fazem crescer. Existem pessoas, existem asas e casas para abrigar sonhos dentro do peito. Existem palavras e vento para levar essas palavras... Existem cores invisíveis que servem para cheirar e para sentir dentro do coração. Existem sentimentos de crescer e poemas de “enpequenar”. E rodamos pela vida sempre a crescer e a diminuir por dentro, como num carrossel.
: )
Um abraço:
Maria Lua
São perigosos como tudo o que nos modifica o pensamento|satisfazem-nos como um amante|alimentam-nos como o melhor manjar do mundo|alguns fazem-nos perder a cabeça e ficar apaixonados mesmo sem os conhecermos bem e muito mais. CUIDADO QUE ELES ANDAM AI... Quem? Os L.I.V.R.O.S. (leia-se: Lunáticos, imaginativos, versáteis, remoinhadores, operadores e sonâmbulos).
Maria Lua
"Há dias, escuros e sem brilho... dias de gastar sapatos e de ver gatos pretos, dias sem tecto... dias de esperar...dias ignorantes que não nos deixam ser...
...mas também existem dias de sol e dias de lua e de cheiro a flores no cabelo, dias de sorrisos, dias de olhar para cima, dias de construir castelos e dias de perceber que tudo o que se espera se alcança, dias de comida servida com batatas fritas (sem engordar) dias de ACREDITAR".
E nisto tudo tu Catarina és a parte boa! És o numero 1! Amei conhecer-te... FICA!....
Beijinhos para ti e para o teu menino... : )
Maria Lua
Hoje sinto-me entre o verde e o cinzento... a seguir publico um texto que tem tudo a ver...
Espero amanhã sentir-me mais AZUL.
Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)
Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.
O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.
"Existiam estrelas guardadas dentro dos olhos de alguém que não queria passar a vida a ver passar navios. E um dia partiu num deles e despejou todas as estrelas atrás de si... e as estrelas construiram caminhos de luz para todos os outros que apesar de não quererem passar a vida a ver passar navios, não tinham coragem de partir"
Maria Lua
As janelas da memoria brincam ao esconde-esconde. É lá que moram todas as bocas que não quiseram dar beijos e todas as princesas que adormeceram nos contos de fadas incapazes de acordar e de voltar à dor do mundo, e todos os principes que por não serem perfeitos se afastaram dos seus sonhos. E todos se escondem para que nunca os descubram. Mas na hora do crepusculo todos se unem numa valsa louca, espiral de tempo de quem não se quer perder. (...)
Maria Lua
Hoje quero partilhar convosco 2 das musicas da minha vida e deixa-las falar por mim...
Relaxem... : ) e boa viagem!
Maria Lua
Tive conhecimento do Fausto na minha adolescência quando a minha encenadora de teatro usou o seu álbum: “Por este rio acima” como tema de fundo para “aquecimento” espiritual antes do espectáculo: “Entre Giestas” de Carlos Selvagem.
Nessa altura o meu papel era o de Clara, uma jovem a quem a vida não lhe havia sorrido muito. Apesar dos anos terem passado recordo uma das minhas deixas para com um personagem já idoso, o Ti’Martinho : “Que longa a noite Ti´Martinho” ao que ele me respondia “Amanhecerá”. Entretanto o Ti’Martinho já partiu para o mundo dos pássaros e eu confesso que durante toda a minha existência sempre fiquei à espera que a noite acabasse... agora mais adulta e madura compreendo que a noite é apenas uma palavra e um momento onde supostamente se deve dormir... pois CRENDO existem sempre luzes interiores que nos impedem de viver na noite!
Mas voltando ao meu muito querido Fausto. Desde essa altura (adolescência) que ele me tem vindo a acompanhar musicalmente como alguém de família com quem não se pode deixar de viver, ou como um pequeno “deus” que nos acompanha e em quem temos fé. Talvez por todas as recordações que a sua musica me tráz serem excelentes. Para além do teatro, Fausto também me acompanhou na dança (usei um dia o : “Corações sentidos corações” para dançar num espectáculo) e porque o Fausto é também para mim um dos melhores letristas e poetas portugueses costumo usá-lo frequentemente em recitais de poesia que faço na minha actividade profissional. E também porque assisti a alguns dos seus concertos sempre pela mão do meu melhor amigo “Manel” com quem desde sempre partilhei momentos belos, felizes e únicos. É interessante que ainda hoje sempre que sinto desejo de mostrar “o outro lado de mim” partilho Fausto e as suas mágnificas musicas e letras com as pessoas de quem me desejo aproximar.
Querido Fausto: Se um dia me leres, quero que saibas que a tua musica sempre me ajudou a ser mais EU! Obrigada e por favor continua a incendiar corações. : )
Maria Lua
As estrelas são as flores do céu. Implantam-se em canteiros de luz como se fossem os olhos de Deus. E protegem-nos nas noites sem sono... algumas por vezes (as mais audazes) deslocam-se do céu e povoam a terra transformando-se em estrelas-do-mar. Mas quem espreitar bem e tiver amor suficiente no coração, mais tarde ou mais cedo conseguirá vê-las abrir as asas e regressar ao céu de volta ao seu lugar... Serão então as estrelas espiãs de Deus?
Maria Lua
Enquanto escrevia este post lembrei-me de uma história que um dia escutei e que agora costumo contar:
O Jovem e as estrelas-do-mar
Numa praia tranquila, junto a uma colónia de pescadores, morava um escritor. Todas as manhãs ele passeava pela praia, olhando as ondas. Assim inspirava-se e, de tarde, ficava em casa a escrever. Um dia, caminhando pela areia, viu um vulto que parecia dançar. Aproximou-se e viu que era um jovem, que apanhava estrelas-do-mar da areia, uma a uma, e as jogava ao oceano. - Tudo bem? – Disse-lhe o jovem num sorriso, sem parar o que estava a fazer. - Por que é que você está a fazer isso? – Perguntou o escritor, curioso. - Não vê que maré baixou e o sol está muito quente? Se estas estrelas ficarem aqui na areia, vão secar ao sol e morrer! O escritor achou bonita a intenção do rapaz, mas deu um sorriso céptico e comentou: - Só que existem milhares de quilómetros de praia por esse mundo fora, meu caro. Centenas de milhares de estrelas-do-mar devem estar espalhadas por todas essas praias, trazidas pelas ondas. E você aqui, nesta praia a jogar algumas de volta ao oceano, que diferença é que isso faz? O jovem olhou para o escritor, agarrou numa estrela na areia, jogou-a à água, e voltou a olhar para ele e dizendo: - Para esta, faz diferença. No dia seguinte, de manhã bem cedo, o escritor foi para a praia. O jovem apanhava as primeiras ondas do dia. Juntos, com o sol ainda suave, começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano…